Dica 2 (para
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| Escolha do tipo de aquário |
Agora vamos falar sobre um problema que aflige muitos dos meus amiguinhos peixes. Imagine que você morasse numa rua na qual você conhecesse todo mundo, onde todos falassem a mesma língua e o clima fosse quente. Agora eu pego você e coloco numa cidade fria, onde ninguém fala sua língua. Você ficaria contente? No mínimo meio perdido. Vocês, seres humanos, podem se adaptar, usar agasalhos e aprender a nova língua. Infelizmente com os peixes não acontece a mesma coisa.
Vamos imaginar que um peixe vive num rio onde a temperatura fica em torno de 23°C, o pH da água é 6,0 e existem árvores fazendo sombra o dia todo. Alguém vai ao rio, captura esse peixe e o leva para uma loja. Lá você o compra e coloca num aquário com temperatura de 29°C, pH 8,0 e com luz intensa o dia todo. Com certeza esse peixe vai viver algum tempo, mas fora das suas condições ideais de sobrevivência.
O pior é que isso é o que acontece na maioria dos aquários comunitários. Aquário comunitário é aquele em que são misturados peixes de diversas regiões do mundo, levando-se em consideração, principalmente, o aspecto estético. A falta de informação faz com que misturemos peixes que não são compatíveis quanto às necessidades físico-químicas da água. Isso faz com que alguns peixes sobrevivam, enquanto outros sofrem e acabam morrendo.
Mas então não devemos montar aquários comunitários? Claro que devemos! Mas algumas regras simples devem ser seguidas. Devemos comprar peixes que tem necessidades parecidas de temperatura, pH, dureza etc. Por exemplo: o Barbo Ouro (Puntius sachsii), apesar de ser originário da China, pode ser mantido com o Mato Grosso (Hyphessobrycon eques), originário do Brasil, pois ambos têm as mesmas necessidades quanto à água (levemente ácida e de 25 a 28°C).

Aquário Comunitário. Escolher espécies com necessidades parecidas.
Também devemos prestar atenção nos hábitos dos peixes. Peixes muito vorazes, que comem muito rápido, podem matar de fome peixes muito lentos, que comem devagar. Simplesmente por comer tudo antes que os outros consigam se alimentar o suficiente! Da mesma forma, peixes agressivos e territoriais podem machucar e até matar peixes menores e pacíficos. Como saber o que vai acontecer? Perguntando ao lojista (se esse for de confiança) e lendo na literatura especializada. Atualmente a Internet também é muito útil, mas certifique-se que o site seja sério e confiável.
Com informação e paciência evitamos que nosso aquário comunitário vire um depósito de peixes vivendo em condições, no mínimo, abaixo das da natureza.
Outra opção é montar aquários que representem uma região específica, os chamados “aquários biótopos”. Esse tipo de aquário procura imitar um determinado corpo de água em todos os seus aspectos.
Talvez o aquário mais comum desse tipo seja o de ciclídeos africanos. Nesse biótopo a água é alcalina e dura (vamos falar sobre esses parâmetros da água mais adiante, por enquanto basta dizer que existem produtos específicos para mantê-los ideais, como o Alcalinizante Acquafauna, por exemplo) e a paisagem é formada por rochas. Qualquer peixe que venha dessa região estará perfeitamente adaptado a esse aquário. Só precisamos nos preocupar com o tamanho e agressividade.

Ciclideos africano. Nunca misturar com peixes de outras famílias.
Outro exemplo comum é o biótopo do Rio Negro. O aquário deve possuir água ácida e mole (também existem produtos específicos, como o Água Mole Acquafauna e o Adicificante Acquafauna), temperatura elevada (um termostato com aquecedor é imprescindível), plantas e troncos na decoração e trocas freqüentes de água. Nesse aquário podemos colocar discos, neons, acarás festivos etc.

Disco e Neon vivem no mesmo biótopo.
São inúmeras as possibilidades: rio asiático, cristalinos, rio amazonas, floresta inundada, lagoas, e por aí vai.
Outra opção é montar aquários para apenas uma espécie. Parece meio chato colocar só uma espécie de peixe num aquário, mas pense num aquário repleto de lebistes, de muitas variedades diferentes. É uma visão impressionante. Ou então um aquário bem grande com kinguios de diversas variedades. A vantagem é que todos os peixes têm exatamente as mesmas necessidades, e cuidar do aquário fica mais fácil. Essa também é a melhor maneira de ter sucesso ao criar algumas espécies, como discos, por exemplo.
Outra coisa que devemos levar em conta é o tamanho do aquário. O tipo de peixe que criaremos deve ser levado em conta nessa escolha. Um aquário para ciclídeos africanos deve ser grande, pois os peixes precisam definir territórios. Para um oscar (Astronotus ocellatus) o aquário também deve ser grande (uns 200 litros, pelo menos), pois o peixe fica enorme. Para killifishes, por outro lado, podemos ter um aquário de 3 ou 4 litros para um casal que tudo correrá bem. Para um peixe de briga (Betta splendens), um litro pode ser suficiente.

Beta pode viver em aquário de 1 litro
Em resumo, informação e bom senso são as chaves para o sucesso no aquarismo. Ao escolher o tipo de aquário e fazer tudo direitinho, nós estaremos dando condições melhores de sobrevivência aos nossos amigos peixes. O que seria uma prisão pode virar um hotel 5 estrelas! Não se esqueça: leia, pesquise, pergunte. É o meio mais fácil de ter um aquário bem sucedido.
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