Dica 16 (para
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| O
ciclo
de
nitrogênio
e
a
filtração
no
aquário
marinho. |
No aquário marinho, como no de água doce, acontecem diversos processos bioquímicos que devem ser compreendidos para que possamos cuidar corretamente de nossos animais. Vamos falar um pouco desses processos e como estabelecê-los no aquário.

A primeira coisa que
devemos compreender é o Ciclo do Nitrogênio. Não é muito
complicado, mas é, de longe, o mais importante. Nós mamíferos
urinamos uréia. É o produto de nosso metabolismo, ou seja, o que
excretamos. Os organismos aquáticos excretam amônia, que é muito
mais tóxica que a uréia. Eles fazem isso porque estão num meio (o
aquático) onde a amônia se dilui rapidamente, praticamente
eliminando sua toxidez. No aquário, no entanto, o volume de água
é limitado, portanto a amônia atinge rapidamente níveis tóxicos.
Para transformar amônia em algo menos tóxico são necessárias
bactérias chamadas Nitrosomonas e Nitrosococcus.
Essas bactérias usam a amônia em seu metabolismo e a transformam
em nitrito, que também é tóxico. O nitrito é rapidamente
transformado em nitrato por bactérias Nitrobacter, que é
pouco tóxico e serve como nutriente para os vegetais. Existem
bactérias que usam o nitrato para obter oxigênio, e o transformam
em nitrogênio gasoso. No aquário esse ciclo tem que ocorrer (pelo
menos até o nitrato!), e para isso devemos fornecer condições
para que as bactérias se estabeleçam e proliferem. É o famoso
filtro biológico.
Existem diversos tipos
de filtro biológico. Durante muito tempo, o mais usado foi o Filtro
Biológico de Fundo (FBF). O FBF usa o próprio substrato do
aquário como local para procriação de bactérias. É eficiente
para aquários só para peixes, mas devemos manter a população
pequena, alimentar os peixes com parcimônia e sifonar o fundo com
freqüência, pois, do contrário, o filtro fica
"entupido" de matéria orgânica em decomposição, o pH
fica ácido e os resultados podem ser catastróficos. Por esse
motivo esse filtro está caindo em desuso no aquário marinho, mas
nada impede de ser utilizado. Conheço aquaristas muito cuidadosos
que mantém esse tipo de filtro num aquário há mais de dez anos,
com muito sucesso.
Outro tipo são os
filtros externos, mais eficientes e mais fáceis de limpar que o
FBF. A variedade é enorme, principalmente no substrato para
bactérias, que pode ser cerâmica, plástico, cascalho de conchas,
espuma, etc. Além disso, pode associar filtragem mecânica e
química, pois costuma ter espaço para isso.
O tipo mais eficiente
é o Dry-Wet. Nesse filtro há mistura de água com ar, promovendo
grande oxigenação do substrato e, portanto, das bactérias,
aumentando muito sua eficiência. Permite um maior número de
peixes, vários invertebrados (os mais resistentes), algas como Caulerpa,
por exemplo.
Nos aquário para
corais vivos, atualmente, usa-se outro princípio de filtração. As
bactérias são estabelecidas em "rochas vivas", que são
rochas de origem animal (esqueletos de corais e algas calcáreas),
retiradas do mar e colocadas no aquário ainda "vivas".
Outra opção é fazer uma grossa camada de areia o colonizá-la,
usando para isso umas poucas rochas vivas. Em ambos os casos, o
processo é mais complexo e merece um artigo só sobre ele. Por
enquanto basta dizer que, se você quer ter um aquário com corais
vivos, esse é o caminho. A grande vantagem é que nesse tipo de
montagem formam-se zonas de anaerobiose (pouco oxigênio) onde
proliferam bactérias que transformam nitrato em gás Nitrogênio,
evitando que este se acumule no aquário.
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