Dica 8 (para imprimir clique aqui)


Devemos coletar peixinhos na natureza para colocar no aquário?

Quando montamos um aquário é quase irresistível a vontade de ir numa represa ou num rio e perto de casa e pegar alguns peixinhos para colocar nele. Será que é uma boa idéia?

 

Colocar um peixinho tirado da natureza no nosso aquário é uma idéia, no mínimo, perigosa. Primeiro porque não sabemos quais as doenças que ele pode trazer. Na natureza os peixes estão em condições ideais, além de terem passado por um processo de seleção natural, então podem estar carregando doenças que não se manifestaram simplesmente porque a resistência do peixe está alta. Então, mesmo o peixe estando saudável, pode estar carregando doenças que, ao chegar no aquário, vão encontrar condições ideais para proliferar: peixes criados em cativeiro que não são resistentes às doenças e condições de saneamento não tão boas como as do ambiente natural, além de um volume de água pequeno.

 

Outro problema é que nem sempre sabemos qual peixe estamos levando para casa. Não sabemos se é um filhote ou um adulto. E se ele crescer demais? Vai caber no seu aquário? Uma tilápia coletada como um alevino de 3 centímetros pode ficar com 30 centímetros quando adulta e simplesmente não caber no seu aquário. E aí, o que fazer?

           

Outro fator importante é a agressividade. Por exemplo: um peixe muito comum na região Sudeste em lagos e represas é o Cará (Geophagus brasiliensis). É um ciclídeo muito bonito que atinge uns 20 cm quando adulto. Mas quando entra no período de reprodução fica muito agressivo e, provavelmente, vai matar todos os peixes do aquário. Veja bem, esse peixe não é mau, ele só é territorial. Na verdade é muito interessante e vem comer na mão do dono depois de acostumado. Mas já pensou nele matando os peixinhos que você comprou na loja?

 

Talvez o pior de tudo seja o desrespeito à natureza quando coletamos um peixe no seu habitat natural. Nossos ecossistemas já estão tão fragilizados que a última coisa que devemos fazer é destruí-los mais ainda. Existe legislação específica quanto à coleta de peixes silvestres e essa deve ser respeitada.

 

Apesar de tudo, se você não resistir e pegar um peixinho na represa ou numa lagoa, tome uma série de cuidados para que ele não prejudique seu aquário e para respeitar o ambiente natural.

Primeiro: tenha certeza de que é permitido coletar peixes na área em questão e evite ao máximo destruir o ambiente na hora da coleta.

Segundo: leve um teste de pH e, se possível, de dureza para ver as condições do habitat natural e tentar reproduzi-las no seu aquário. Um termômetro também é importante.

Terceiro: leve o material necessário para o transporte. Sacos plásticos, elásticos e uma caixa de isopor são imprescindíveis.

Quarto: tenha um aquário de quarentena, onde você possa colocar os peixinhos antes de introduzi-los no aquário principal. Lá você vai poder observar seus hábitos e fazer uma identificação mais precisa.

Quinto: adapte-o lentamente às condições em cativeiro. Tente acostumá-lo com ração, mas não deixe de oferecer alimentos naturais e vivos. Não deixe o aquário com luz muito intensa nos primeiros dias. Preste atenção na qualidade da água.

Sexto: tente reproduzi-lo. Já que você tirou o animal da natureza, o mínimo que você deve fazer é aumentar sua população em aquários, para que não seja mais necessário coletá-los.

Sétimo e muito importante: anote tudo e compartilhe com outros aquaristas. Tanto faz se opeixe que você coletou é uma raridade ou um guaru. Anote onde e quando o peixe foi coletado, os parâmetros da água, como foi seu comportamento em aquário, como foi sua reprodução, o que come, o que não come, enfim, tudo que observar.

Dessa maneira você se torna um aquarista consciente e participativo, além de produzir um conhecimento inestimável sobre nossos amiguinhos, os peixes.



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